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sábado, 2 de junho de 2012

O sorriso


O sorriso (por: Kraudião)
A tristeza quis aparecer nesse dia frio e escuro de inverno.
Queria me convencer que pertence ao mundo de forma importante,
Que ela faz lembrar as dores e incertezas da vida.
Mas o sorriso a recebeu muito bem e tratou de mostrar
O que minha alma revela agora de mais brilhante.

A saudade chegou de mansinho querendo se aproximar cada vez mais.
Apresentou-me coisas do passado e me fez ficar saudoso das coisas que fiz,
De toda uma história vivida consciente e inconscientemente realizada por mim,
Marcas importantes que ajudaram a construir o meu ser até aqui.
Mas o sorriso se ampliou de tanta emoção em recordar através da saudade,
Coisas que até já tinha esquecido e agora vivas na memória.

A indecisão depois de muita vacilar, se apresentou com coragem.
Tentou reafirmar que se não fazemos agora poderemos fazer depois,
Que a pressa nunca garantiu a certeza de nada e ela é que era prudente,
Pois preferia passar dias a decidir e fazer do modo certo, perfeitamente.
Mais uma vez o sorriso, todo benevolente, não titubeou.
Manteve sua máxima de que nunca se deve perder a oportunidade de sorrir e agradeceu, mantendo-se firme em sempre sorrir.

A queixa não ia deixar de reclamar daquela situação que se apresentava diante de seus olhos incrédulos.
Se tudo estava de mal a pior, como manter um estado de tamanho equilíbrio?
Ninguém podia permanecer tanto tempo assim, a tudo observar e acreditar de que tudo é bem no universo!
Precisava registrar que a vida não estava boa, que as pessoas eram más, que a vida não lhe dava oportunidades e que nunca era ajudada!
Como sempre, em seu otimismo de fé, o sorriso manteve-se calmo e pacífico, mas discreto em seus lábios bem delineado.
Seu estado de plenitude era tamanho que mesmo de boca fechada sua alma jorrava amor e tolerância.

A raiva que tudo observava de longe ficou ensandecida e foi tirar satisfação!
Chegou de forma irracional e cara enfezada, expressando todo seu sentimento.
Fez questão de não ouvir e muito menos parou de falar, defendendo sua opinião!
Afirmava que não era possível viver com tanta alegria e sorriso no rosto!
Paciente e compreensivamente, o sorriso deixou ela se esvaziar de toda ira...
Permitiu que expurgasse todo aquele desafeto, rancor e ira acumulados por anos a fio.
Simplesmente após esta catarse, convidou a raiva para uma reflexão.
Pontuou que a vida é muito mais do que isso... tristezas, saudades, indecisões, reclamações.
E nada mais fez, a não ser sorrir de forma convidativa para todos esses momentos...
Como se sua certeza, brandura, beleza, sabedoria e motivação pudessem alquimizar todos aqueles que não entendiam o que era a arte do sorrir!

Salvador-BA, 02 de Junho de 2012.