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sábado, 21 de maio de 2011

As partes e o Todo

As partes e o Todo (por: Kraudião)

O Olho queria enxergar o TODO, mas ao se ver no além observou
Que esta visão estava partindo de um referencial limitado.
Logo se viu em pleno breu,
E então, se identificou ainda como EU.

A boca quis falar, dizer algumas palavras
que pudessem soar diante do TODO,
Mas ao repercutir no externo percebeu
que este som não conseguia ir tão além.
Nada de novo...logo ela entendeu,
E então, se identificou ainda como EU.

O ouvido quis escutar o TODO, mas qual não foi a sua dificuldade
Em captar algo que há muito já ocorreu.
Uma vibração muito intensa algo que tentou traduzir como DEUS,
E então, se identificou ainda como EU.

A mão quis tocar o TODO, mas como faze-lo ?!
Se o toque caracterizava algo concreto e limitado,
E aquelas mãos se recolheram, pois nada aconteceu,
E então, se identificou ainda como EU.

O nariz quis cheirar o TODO, embriagar-se na mais absoluta essência.
Buscou inspirar quase todo o ar, mas uma respiração foi muito pouco
Porque havia muita coisa para se inalar,
E então, se identificou ainda como EU.

O pé quis chegar ao TODO, caminhou decidido rumo a uma direção
Passo a passo com bastante decisão.
Andou bastante durante algum tempo, de muito rápido até mesmo correu!
Caminhou...caminhou e nada de chegar.
Buscava um ponto final, uma parada qualquer,
E então, se identificou ainda como EU.

O EU então despertou para aquela situação.
Se o OLHO não enxergou,
se a BOCA com a palavras nada adiantou,
se o OUVIDO nada escutou,
se o PÉ quase chegou,
como vai ficar o EU?
Estejam em todas as partes
que elas se completam em mim,
respondeu o TODO,
E então, se identificou com DEUS.




Salvador-BA, 21 de Maio de 2011.